A revolução dos blogues: o fim do jornalismo?
18.6.09

Não é líquido que a blogosfera represente o fim da importância do jornalismo. É um fenómeno que inova ao dar voz aos cidadãos, ao fazer com que se envolvam directamente na sociedade civil, que estejam conscientes do mundo à sua volta e em alerta quando ocorrem falhas, mas que não substitui a prática jornalística por não se revestir das suas características funcionais.

 

As duas actividades não se anulam: complementam-se. Os meios de comunicação não vão acabar; é a noção clássica da profissão de jornalista que está a ser desafiada. O jornalista já não é determinante no funcionamento social. E ignorar-se os cidadãos deixou de ser possível: eles estão em todo o lado, a todo o momento.

link do postPor Fábio Matos Cruz, às 21:42  ver comentários (1) comentar

Embora a Era da Comunicação Global quebre fronteiras no que respeita à produção de notícias, o papel do jornalista profissional é indispensável para compensar as fragilidades que o universo dos blogues apresenta.

 

Dan Gillmor, autor da obra We The Media, defende que, mesmo que haja «muito mais media criados por pessoas que antigamente eram apenas audiências» – um jornalismo by the people, for the people –, «continuará a haver necessidade de profissionais». Isto porque a liberdade verificada na blogosfera ainda carece de precisão e de controlo da qualidade do que disponibiliza «a sua maior força é também a sua maior fraqueza», como Rebecca Blood reconhece , o que se traduz numa necessidade de o jornalista profissional assumir tarefas de edição e monitorização desse espaço.

 

Além disso, com um fluxo de dados cada vez maior, gera-se um caos informativo que precisa de ser filtrado para que os cidadãos se concentrem no que é verdadeiro e importante numa história. No livro Os Elementos do Jornalismo, Tom Rosenstiel e Bill Kovach atribuem esse trabalho de filtragem a um «novo jornalista [que] já não decide o que o público deve saber; ajuda-o, antes, a ordenar informações». Um mediador que reconhece que «a necessidade de verdade é maior, e não menor, neste novo século, pois a probabilidade da mentira tornou-se muito mais prevalecente».

link do postPor Fábio Matos Cruz, às 21:38  comentar

A relação entre os blogues e o jornalismo torna, então, possível uma produção informativa mais expansível. Além da informação que detém, o jornalista serve-se da que é disponibilizada na blogosfera, confirma-a e fá-la chegar ao maior número de pessoas possível. Por essa via, esta relação apenas lhe traz benefícios: para além de ter muito mais fontes de informação e contribuições para o enriquecimento das suas notícias, cria uma cumplicidade com os cidadãos que lhe permite conhecê-los melhor e agradar-lhes mais facilmente.

 

É, tal como Jeff Jarvis descreve, um «jornalismo cooperativo, com mais pessoas envolvidas», onde, através da partilha de perspectivas, se tenta aproximar o mais possível da realidade.

link do postPor Fábio Matos Cruz, às 21:34  comentar

Mas será a inovação que os blogues representam uma forma de exercer o jornalismo?

 

Apesar de terem a finalidade de criar e publicar conteúdos, as duas actividades não têm uma ética comum. Critérios como a verdade, a citação das fontes e a confirmação da informação veiculada são princípios que estão presentes, tanto nas redacções noticiosas, como nos blogues; no entanto, fundamentos do trabalho jornalístico como a objectividade e a imparcialidade não se circunscrevem na blogosfera.

 

Se o jornalista está sujeito às normas de conduta do Código Deontológico da profissão, o bloguer apenas obedece à sua consciência e tem apenas um único dever: ser o mais sincero possível. Como a especialista Rebecca Blood nota, «aplicar as regras jornalísticas» a este universo é ir contra «a sua própria natureza», pois o pilar central da escrita dos blogues é a razão da sua popularidade: «a verdade e a transparência das opiniões».

 

Num estudo publicado pelo Observatório da Comunicação (OberCom) em Março de 2008, concluiu-se que, «na percepção dos bloguers portugueses, a blogosfera em geral não é dominada pela prática jornalística nem pela agenda dos mass media tradicionais». As possibilidades fornecidas ao utilizador no universo dos blogues não exigem «o estatuto de opinion maker (jornalista, especialista ou comentador) consagrado pelo sistema dos mass media», mesmo que envolvam directamente o espaço público tradicional no apelo à participação activa na sociedade. Esta dinâmica, diz ainda o estudo, contorna as ferramentas a que a prática jornalística recorre, muito embora seja uma «vasta rede de circulação de opinião que tem vindo a questionar o tradicional monopólio da designada indústria de opinião pública» dos meios de comunicação.

 

Apesar de serem poucos os bloguers que se consideram jornalistas, a verdade é que o seu trabalho se aproxima do jornalismo. A utilização dos blogues pelos cidadãos permite-lhes aprender a seleccionar informação, a dar atenção ao que é relevante e a excluir o inútil ou acessório. Por ganharem rigor crítico, tornam-se melhores leitores e cidadãos, precisamente por estarem mais conscientes da realidade à sua volta.

 

Além disso, a blogosfera está a moldar, não apenas a forma de fazer notícias e entreter, como os assuntos políticos e a vida pública. É cada vez mais frequente assistir a casos em que os bloguers escrutinam a vida civil e utilizam os seus meios para denunciar  e oferecer matéria aos órgãos noticiosos para investigação. Casos como o do blogue Drudge Report, da autoria de Matt Drudge, que acompanhou na íntegra o escândalo sexual que envolveu o presidente norte-americano Bill Clinton, assim como a polémica da licenciatura de José Sócrates suscitada no blogue Do Portugal Profundo, são disso exemplo.

 

Pela sua total autonomia e por persistirem em assuntos que, de outra forma, passam à margem dos media, Arianna Huffington, editora do sítio de notícias The Huffington Post, considera que os bloguers são os «pit bulls do jornalismo».

 

link do postPor Fábio Matos Cruz, às 21:28  comentar

Primeiro, importa saber se o aparecimento dos blogues constitui, em si, uma revolução.

 

Criado em 1997, o conceito de weblog nasceu como uma aplicação da Internet para produção de conteúdos pelos próprios utilizadores – um processo conhecido por user-generated content web application. Pela primeira vez, os cidadãos passaram de meros espectadores a participantes activos na sociedade civil; mais concretamente, de consumidores de informação a produtores de informação.

 

Esta partilha de conteúdos, recorrendo ao comentário e à reacção directa e imediata ao acontecimento, afirmou-se, não apenas como um espaço de comunidade de opinião, mas principalmente como um convite à participação e ao debate, essenciais para a formação da opinião pública.

 

Na verdade, o facto de a informação poder ser produzida por qualquer um, a qualquer hora, sem qualquer custo e com publicação garantida na Web coloca o jornalismo tradicional sob ameaça.

 

Desde logo, pela perda da exclusividade da notícia: aos poucos, os mass media vêem o seu monopólio da informação ser-lhes retirado porque, para além de a Internet satisfazer quem procura conteúdos de forma imediata, permite aos seus utilizadores produzi-los e debatê-los. O norte-americano Jeff Jarvis, autor do influente blogue BuzzMachine, considera que a Internet é «o primeiro meio de informação que dá voz ao público e do qual este é proprietário». No fundo, o consumidor passivo passa a «procurar e produzir de forma autónoma a sua própria informação».

link do postPor Fábio Matos Cruz, às 21:24  comentar

O presente blogue serve de análise da importância da blogosfera enquanto veículo informativo. Questionando se é ou não uma alternativa viável aos métodos tradicionais da indústria noticiosa, debruça-se sobre as seguintes problemáticas:

 

Serão os blogues um meio de informação autêntico?

 

Serão um instrumento cada vez mais utilizado pelos cidadãos para se manterem informados?

 

E, mais importante, constituirão uma ameaça aos mass media tradicionais?

link do postPor Fábio Matos Cruz, às 21:13  comentar


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